Ética na Saúde: Influência na Prosperidade e na Construção de uma Cultura Colaborativa e Segura

É recorrente nas mídias e redes sociais postagens voltadas ao tema ética em saúde, tais como: “contrate caráter”, “comportamento ético”, “a ética como critério principal ao se trabalhar pessoas”, dentre outras. Sabemos que esse é um assunto de fundamental importância, que vai e vem há anos, mas afinal de contas, como saber se a ética está realmente inserida e presente no dia a dia do setor saúde e de seus profissionais?  

Para iniciar essa discussão precisamos propriamente entender o significado de ética, que por definição é o “conjunto de valores universalizáveis, que auxilia no discernimento entre o certo e o errado, e quando vividos produzem o bem comum”. A compreensão e o bom entendimento de ética estão muito além das regulamentações sanitárias ou mesmo de estar ou não em conformidade com padrões de qualidade preestabelecidos. 

Se analisarmos os momentos mais “obscuros” vividos na história da humanidade notamos que todos foram decorrentes da ausência de uma consciência mínima de moralidade e valores éticos, o que deixa latente a importância desses conceitos na formação do indivíduo e na construção de uma sociedade justa. 

Posso garantir a vocês que independentemente do grau de instrução, cargo ou remuneração de um indivíduo, grupo ou organização do setor saúde, atividades como: envolvimento do paciente no cuidado, estruturação do plano e projeto terapêutico, confidencialidade de informações, consentimento para utilização de um medicamento, procedimento cirúrgico ou do uso de informações, transparência, disclousure, dentre tantos outros, envolvem a moral e a ética como fundamento básico para suas decisões. Mas será que isso tem sido feito dessa forma? 

Sabe-se que na saúde as decisões éticas são inúmeras e envolvem muitas vezes profissionais que não tiveram qualquer formação para esse enfrentamento ou mesmo para um melhor entendimento em lidar com tais questões. Compreendendo que a cultura organizacional é estabelecida pelo conjunto de crenças, valores, decisões e comportamentos de gestores e profissionais, fica implícito que quando não existe esse entendimento ou o desenvolvimento desses profissionais para o que chamamos de “consciência ética”, suas decisões e comportamentos apresentam grande variabilidade, o que consequentemente trará muitos questionamentos. 

Embora cada profissional possa ter seu próprio senso moral, existem circunstâncias onde os conflitos éticos podem atrapalhar suas decisões e, por conseguinte, o atendimento ao usuário e a geração de valor. É fato que o gestor é a peça chave na formação de uma cultura ética e organizacional, pois ele é responsável pela propagação dos valores e pela criação de um ambiente que possibilite o processo ético na tomada de decisão e no compartilhamento de aprendizagens, assim como na transparência para a discussão daqueles casos que tiveram algum erro de planejamento e/ou execução.  

A busca pela sustentabilidade e por uma cultura organizacional adequada e justa, além de um ambiente ético e colaborativo, é o resultado de um processo que envolve todos os atores dentro de uma organização, sendo imprescindível a construção e a valorização de cada um.  Precisamos aumentar e aprofundar as discussões voltadas a essa temática dentro das organizações de saúde, ainda muito imaturas em temas dessa importância.  

Outro ponto de destaque é a quase exclusiva atenção de muitos executivos e gestores aos avanços tecnológicos e a pouca atenção aos processos de trabalho, às tomadas de decisões e desenvolvimento de pessoas, trazendo riscos aos profissionais e pacientes, com consequente suscetibilidade a eventos catastróficos e maior ineficiência do sistema.  

A grande verdade é que a ética deve permear e correr livremente por toda a organização, tanto nas ações como nos comportamentos dos profissionais. Trabalhar a ética de maneira consistente e verdadeira trará como benefícios a criação de ambientes de trabalho colaborativos, fidelização de profissionais e usuários, melhoria da qualidade e da segurança na prestação de serviços, garantindo assim melhores resultados para os gestores, para a organização e para a construção de um sistema mais eficaz.

Publicado por Dr. Bruno Cavalcanti Farrás, médico, cofundador e CEO da BFarrás Health Solutions. Executivo com experiência em posições de liderança, atuação estratégica, projetos de inovação, transformação digital, integração de redes de atenção à saúde, desenvolvimento de relacionamento com entidades nacionais e internacionais, além de forte envolvimento e conhecimento dos principais grupos, operadoras, instituições de saúde, agências reguladoras e sociedades médicas  do nosso país. Amplo conhecimento no planejamento e gestão de serviços de saúde, implantação de sistemas de gestão da qualidade, planejamento estratégico, processos críticos, gestão de riscos, gestão de corpo clínico, desenvolvimento de times de alta performance e protocolos médicos assistenciais.

Na BFarrás Health Solutions trazemos soluções de excelência para uma gestão eficaz e sustentável. Trabalhamos quatro frentes: Assessoria & Consultoria, Health Academy, Mentoria Profissional e Workshops.

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