Fornecer uma assistência ética, segura e de qualidade na saúde é a grande busca e principal meta das organizações de saúde. Sabemos que o alcance desse objetivo requer o alinhamento e o equilíbrio de diversos fatores, todos resultantes de decisões no âmbito estratégico, tático e operacional.
Melhorar a qualidade da assistência requer além de profissionais capacitados tecnicamente, o envolvimento e participação dos gestores e das lideranças no direcionamento para a tomada de decisão, assim como na orientação sobre as expectativas comportamentais desejadas. Aqui já temos uma primeira barreira, afinal de contas, nada disso é possível quando a ética não faz parte do propósito organizacional, ou seja, quando ela não está presente no dia a dia da organização e não permeia as decisões e comportamentos de seus profissionais, tema do artigo desta semana.
Os princípios éticos, caracterizados pelo conjunto de valores universalizáveis capazes de discernir entre o certo e o errado trazem como resultado o bem comum, incluindo justiça, autonomia, beneficência e não maleficência. Os padrões e códigos éticos profissionais e organizacionais devem estar disponibilizados e serem do conhecimento de todos os profissionais da organização, em especial daqueles com pouco tempo de casa. Isso tudo porque estudos na área mostram que, quando disseminados de maneira pontual, em pequena escala ou para um grupo predeterminado, os resultados acabam sendo limitados e insuficientes para trazer alguma repercussão valiosa.
São inúmeros os recursos existentes que podemos aproveitar e utilizar como estímulo para o raciocínio, entendimento e disseminação dos princípios éticos dentro de uma organização, dos quais destaco:
- Comitê de ética, bioética, prontuário, óbito, CCIH;
- Descrição de políticas – nortear as ações por meio de diretrizes;
- Descrição de normas – definem as regras para o ajuste de condutas ou atividades;
- Descrição de Procedimentos – define as etapas da execução.
Esses recursos permitem que todas as atitudes, comportamentos e/ou interesses envolvendo organização, profissionais, usuários e demais atores desse sistema sejam analisados e interpretados de maneira isenta e apropriadas quando necessário.
A maior conscientização e prevalência de questões éticas, associadas à necessidade de maior transparência das organizações com todas as partes, contribuem para que este tema esteja tão em voga atualmente. Outro ponto de destaque relaciona-se aos reguladores, compradores de serviço e aos próprios usuários, cada vez mais informados e exigentes, sendo-lhes de direito saber tudo que se passa no sistema.
O desenvolvimento de um processo sistemático para a tomada de decisão seria de grande utilidade, já que gestores, líderes e profissionais tomariam suas decisões baseadas em princípios éticos da organização e não mais em suas próprias percepções ou vivências.
Quando incorporados à cultura organizacional, tais princípios trariam menor variabilidade, maior assertividade e transparência. Desta forma, destaco pontos fundamentais no desenvolvimento desse processo:
- Ambientes de trabalho positivos – capazes de propiciar a interação, atuação e aprendizado ético entre os profissionais;
- Atenção aos profissionais – envolvimento e integração das diferentes disciplinas no desenvolvimento e implementação de estratégias para uma assistência segura, ética e de qualidade;
- Envolver pacientes e familiares – trazer as diferentes contribuições para a melhoria dos processos (transparência e prestação de contas)
- Cultura de melhoria contínua – compromisso com a transparência e com o aprendizado organizacional contínuo
- Tomada de decisão assertiva – equilíbrio entre cargos, questões individuais, organizacionais e sociais.
- Comportamento profissional – demonstração da ética e dos valores da organização a partir do comportamento individual.
A remuneração baseada no desempenho é assunto cada vez mais recorrente entre os financiadores do setor. Sendo essa mudança lenta e gradual, cabe aos gestores a responsabilidade de liderar essa transformação e plantar a semente para posteriormente consolidar uma cultura que fomente práticas clínicas, administrativas e tomadas de decisão baseadas na ética. Estamos preparados para essa virada de chave?
Publicado por Dr. Bruno Cavalcanti Farrás, médico, cofundador e CEO da BFarrás Health Solutions. Executivo com experiência em posições de liderança, atuação estratégica, projetos de inovação, transformação digital, integração de redes de atenção à saúde, desenvolvimento de relacionamento com entidades nacionais e internacionais, além de forte envolvimento e conhecimento dos principais grupos, operadoras, instituições de saúde, agências reguladoras e sociedades médicas do nosso país. Amplo conhecimento no planejamento e gestão de serviços de saúde, implantação de sistemas de gestão da qualidade, planejamento estratégico, processos críticos, gestão de riscos, gestão de corpo clínico, desenvolvimento de times de alta performance e protocolos médicos assistenciais.
Na BFarrás Health Solutions trazemos soluções de excelência para uma gestão eficaz e sustentável. Trabalhamos quatro frentes: Assessoria & Consultoria, Health Academy, Mentoria Profissional e Workshops.
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