Futuro das Lideranças: Desafios, Comunicação Efetiva e Cocriação para o Alcance de Resultados

Inúmeras são as teorias que buscam atender a necessidade de mudança na liderança das organizações. Diante de tantos desafios, as lideranças na saúde precisam estar capacitados para agir de forma rápida, efetiva e com foco na geração de valor. Para assumir verdadeiramente suas equipes, líderes devem reconhecer a importância da comunicação e passar aos profissionais o que se busca, assim como o por quê. Para que esse alcance seja garantido, a comunicação deve combinar o contexto, a informação que se quer transmitir e a forma como isso será feito. Mesmo quando informados e inspirados pelas liderança, na saúde muitos profissionais ficam confusos sobre seu papel, mudanças necessárias e como auxiliar a organização no atingimento de seus objetivos, o que é absolutamente normal. 

Um dos principais erros responsáveis pelo fracasso na implantação de estratégias ocorre quando não existe espaço para que o profissional se posicione ou seja ouvido. O engajamento e comprometimento dos profissionais está diretamente relacionado ao planejamento das ações, transparência na comunicação, tempo de implantação, responsáveis envolvidos e definição das atribuições da equipe. Qualquer falha traz dificuldades no entendimento, poder de decisão, informações que possam ser divulgadas e de quais pessoas dependem para entregar seus resultados. Em outras palavras, compartilhar informações é importante, mas não se trata de uma simples atualização, e sim da cocriação de acordos mútuos vinculados a uma missão comum, que podem a medida que o tempo passa sofrer adequações. 

Em situações complexas o progresso é alcançado quando são analisadas distintas visões para a tomada de decisão”. 

Aceitar a pluralidade da situação onde pessoas, equipes e/ou organizações interagem com uma visão do que está acontecendo e uma ideia do que deveria estar acontecendo já é um primeiro passo, dado que é bastante comum encontrar gestores e líderes que verbalizam os dizeres: “vamos fazer isso ou aquilo para o bem comum”, quando na verdade o significado é: “vamos fazer isso ou aquilo para mim”. 

Arrisco-me a dizer que em um futuro bastante próximo as premissas básicas para um líder serão: desenvolver pessoas; estruturar ambientes de trabalho colaborativos e de aprendizagem; gerir ambientes dinâmicos com as melhores práticas para o atingimento de resultados excelentes e ter o entendimento e análise do contexto ao qual sua organização está inserida.  

A importância do contexto na definição de estratégias, desenvolvimento profissional e organizacional é reconhecido há anos por estudiosos. No entanto, a aplicação da teoria ainda é difícil e apresenta baixo impacto na prática.  

Por definição, contexto é o conjunto de elementos que articulados, levando em consideração suas variáveis, ajudam na melhor compreensão do momento vivido. Essas variáveis incluem fenômenos como a globalização, transformação digital, escassez da força de trabalho, entrada de capital estrangeiro, maior competitividade, reestruturação do setor, inovações tecnológicas, diferentes expectativas dos profissionais, experiência do cliente, fidelização dos profissionais, dentre outras. 

Entender o contexto significa avaliar as influências internas e externas, diretas e indiretas que impactam os serviços ou organizações de saúde. Como influências internas podemos considerar: propósito organizacional, cultura, modelo de liderança na saúde; habilidade requeridas, escopo de atuação, ambiente de trabalho, expectativas dos profissionais e a satisfação dos usuários. Por sua vez, as influências externas levam em consideração fatores como: políticas de saúde, recursos disponíveis, equilíbrio do setor, competitividade do mercado, relação com parceiros, imagem da marca, oscilação da moeda e movimentos políticos, sociais e ideológicos. 

Conhecer essas influências torna-se vital para um maior equilíbrio e alcance da sustentabilidade e longevidade da organização. Ignorá-los trará como consequências o desperdício de esforços e recursos, propiciando a maior ocorrência de eventos e danos, tornando a saúde ainda mais custosa sem que isso traga mais saúde ao usuário. 

Como primeiro passo oriento que encontre um caminho a seguir. A colaboração exige o entendimento de que não temos como controlar o futuro, mas que podemos influenciá-lo através de decisões. O progresso não se alcança necessariamente com a definição de uma resposta ou solução, mas sim com o enfrentamento, envolvimento e poder de negociação. A negociação é uma habilidade que traz clareza sobre o que busca.  

Os líderes e gestores precisam ter a convicção que sua função é direcionar, enquanto a execução da estratégia cabe a equipe. Nenhuma organização trará melhorares resultados se cada integrante não entender ou souber como contribuir.  

A concepção convencional de colaboração traz a ideia de harmonia em um ambiente estático com poucas variáveis influentes e capacidade de previsibilidade. Na saúde, precisamos de uma abordagem muito mais abrangente para definir colaboração, o que inclui momentos de divergência, experimentação e cocriação conjunta entre profissionais, parceiros e sistemas.  

Acreditar que o atingimento de propósito, alcance de resultados e melhoria continua se faz com pessoas com as quais concorda e nunca com aquelas consideradas difíceis é um grande erro. A negociação é uma habilidade requerida das lideranças em saúde e que traz clareza sobre o que se busca. O líder precisa ter a convicção que sua função é direcionar, enquanto a execução da estratégia cabe a equipe. Nenhuma organização trará melhores resultados se cada integrante, inclusive a liderança, não entenderem ou souberem como contribuir. Precisamos mudar o raciocínio atual, desafiando suposições e utilizando a criatividade para priorizar ações e seus resultados no curto, médio e longo prazo. 

Publicado por Dr. Bruno Cavalcanti Farrás, médico, cofundador e CEO da BFarrás Health Solutions. Executivo com experiência em posições de liderança, atuação estratégica, projetos de inovação, transformação digital, integração de redes de atenção à saúde, desenvolvimento de relacionamento com entidades nacionais e internacionais, além de forte envolvimento e conhecimento dos principais grupos, operadoras, instituições de saúde, agências reguladoras e sociedades médicas  do nosso país. Amplo conhecimento no planejamento e gestão de serviços de saúde, implantação de sistemas de gestão da qualidade, planejamento estratégico, processos críticos, gestão de riscos, gestão de corpo clínico, desenvolvimento de times de alta performance e protocolos médicos assistenciais.

Na BFarrás Health Solutions trazemos soluções de excelência para uma gestão eficaz e sustentável. Trabalhamos quatro frentes: Assessoria & Consultoria, Health Academy, Mentoria Profissional e Workshops.

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