Ao ler alguns artigos, a frase de Jim Clifton, CEO da Gallup, empresa global de análise e consultoria com foco em auxiliar líderes e organizações a resolverem seus problemas mais urgentes, chamou muito a minha atenção, tanto pela intensidade quanto pela iminente possibilidade de se tornar verdadeira em um curto espaço de tempo, visto a pouca intenção atuação vista no ambiente de trabalho na saúde.
“Melhorar a vida no trabalho não é como ciência espacial, mas o mundo está mais perto de colonizar Marte do que consertar os locais de trabalho quebrados do mundo”. Jim Clifton
Um dos trabalhos mais árduos e que certamente traz um grande salto para qualquer organização que busca a excelência na prestação de cuidados em saúde é ter um ambiente de trabalho positivo e o engajamento de seus profissionais.
Embora seja um assunto bastante recorrente e do conhecimento de grande parte dos executivos e líderes do setor, que reconhecem como frágeis o ambiente de trabalho e o engajamento de seus profissionais, o baixo impacto observado nas ações implantadas mostram a grande desarmonia entre a estratégia e o que é realizado na ponta. Por isso, a questão a ser respondida e tema que trago esta semana é: o que podemos fazer para melhorar?
Sendo a saúde um sistema adaptativo complexo, com tantas forças em jogo, é preciso levar em consideração que todas as ações necessitam de uma análise multifatorial para que surtam o efeito desejado, visto que devido as suas inúmeras interconexões e impactos sistêmicos, quando realizadas de maneira simplista e unidirecional, tendem a resultar um desfecho catastrófico.
“Apenas 21% dos funcionários se sentem engajados no trabalho”. Relatório 2022 Gallup 2022
É fato que o ambiente de trabalho afeta diretamente o engajamento profissional. O primeiro passo é identificar a necessidade de mudança. A partir daí algumas ações podem ser tomadas, muitas delas sem custos para a organização e com resultados bastante relevantes, das quais destaco:
- Disseminação dos objetivos da organização: quando existe clareza na disseminação dos objetivos e do lugar que a organização quer chegar, os profissionais começam a entender que são parte do negócio, saindo da atuação de “tarefeiros” e tornando-se agentes transformadores;
- Definição de papéis e responsabilidades: a clareza e a compreensão das atividades, além de propiciarem uma melhor atuação profissional, diminuem conflitos e tornam o ambiente de trabalho colaborativo para o aprendizado, compartilhamento de informações e alcance de melhores resultados;
- Atuação profissional: a partir do momento que os objetivos estão disseminados e os colaboradores têm clareza de suas entregas, a atuação profissional, principalmente no que se refere aos domínios independentes, interdependentes e dependentes, fica muito mais clara, melhorando a coordenação do cuidado e a assistência, diminuindo os conflitos entre as disciplinas e a ocorrência de eventos;
- Apoio psicológico: o desequilíbrio entre o ambiente de trabalho e o engajamento profissional aumenta os níveis de estresse, culminando com insatisfação pessoal e profissional, aumento da ocorrência de eventos, transtornos psiquiátricos, problemas de saúde, turnover e absenteísmo;
- Desenvolvimento profissional: programas de desenvolvimento e crescimento profissional trazem maior satisfação entre os profissionais e maior segurança no exercício de suas atividades. Profissionais tendem a permanecer em organizações onde poderão se desenvolver, influenciando diretamente no absenteísmo e turnover;
- Cultura organizacional: ambientes de trabalho positivos, profissionais envolvidos, clareza de papéis, responsabilidades e entregas, lideranças participativas e um clima organizacional favorável à melhoria dos processos, eliminação de barreiras e melhor assistência têm a capacidade de construir uma cultura mais justa e transparente.
Para o sucesso de todas essas ações é imprescindível a presença e atuação direta das lideranças. Essa interação vai muito além das questões técnicas e administrativas. Líderes precisam conhecer com riqueza de detalhes o ambiente de atuação e as características de seus profissionais, sendo melhores ouvintes e mentores no desenvolvimento dessas equipes.
Já estamos experimentando o impacto de inúmeras mudanças, muitas delas em curso há anos, enquanto outras aceleradas pela pandemia. O entendimento dos novos modelos de trabalho, comportamentos e necessidades profissionais é primordial para a implantação de ações efetivas voltadas a melhorar os ambientes de trabalho e o engajamento dos profissionais.
Publicado por Dr. Bruno Cavalcanti Farrás, médico, cofundador e CEO da BFarrás Health Solutions. Executivo com experiência em posições de liderança, atuação estratégica, projetos de inovação, transformação digital, integração de redes de atenção à saúde, desenvolvimento de relacionamento com entidades nacionais e internacionais, além de forte envolvimento e conhecimento dos principais grupos, operadoras, instituições de saúde, agências reguladoras e sociedades médicas do nosso país. Amplo conhecimento no planejamento e gestão de serviços de saúde, implantação de sistemas de gestão da qualidade, planejamento estratégico, processos críticos, gestão de riscos, gestão de corpo clínico, desenvolvimento de times de alta performance e protocolos médicos assistenciais.
Na BFarrás Health Solutions trazemos soluções de excelência para uma gestão eficaz e sustentável. Trabalhamos quatro frentes: Assessoria & Consultoria, Health Academy, Mentoria Profissional e Workshops.
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