No dia 10 de novembro é comemorado o Dia Mundial da Qualidade. Oficialmente foi no ano de 1990 que a Organização das Nações Unidas – ONU instituiu a segunda quinta-feira do mês de novembro como o Dia Mundial da Qualidade ou da gestão da qualidade. Mesmo que já existissem registros anteriores de comemorações, foi a partir deste evento que o dia teve sua inclusão permanente no calendário em todo o mundo para sua recordação e comemoração.
Anualmente a data é promovida pelo CQI | The Chartered Quality Institute com o objetivo de destacar a relevância do tema “qualidade” para o resultado das organizações, produtividade, competitividade e conscientização global a fim de promover o crescimento, desenvolvimento, engajamento e prosperidade de todos.
Ao longo dos últimos anos nota-se um movimento crescente e cada vez mais comum entre as organizações de saúde, onde são preparados uma série de eventos ao longo da semana, tornando o “Dia” Mundial da Qualidade na “Semana” Mundial da Qualidade.
Para 2022, essa semana que ocorre entre os dias 7 e 11 de novembro o tema escolhido foi:
“Consciência de Qualidade: fazendo a coisa certa”.
Gostaria de trazer algumas questões a você, leitor, para uma reflexão conjunta. Afinal de contas, qual o real significado desta data? Sua relevância e representatividade? Temos visto mudanças de valor na gestão da qualidade ao longo destas últimas décadas?
Ao falar de gestão da qualidade, não se trata apenas de projetar e melhorar a qualidade de um serviço e/ou produto, mas também de desenvolver métodos para torna-los cada vez mais eficientes, acessíveis e menos custosos. Essas características têm se tornado habilidades comuns entre organizações que alcançam resultados surpreendentes e que tem tido grande destaque em seu setor de atuação, já que passam a considerar outras variáveis como ambiente, contexto ao qual estão inseridas e as diferentes perspectivas e expectativas para a tomada de decisão, algo cada vez mais consciente.
Uma das ferramentas mundialmente reconhecidas para avaliar a gestão da qualidade, e não construí-las como erroneamente é utilizada por muitos, são as acreditações. Essas iniciativas surgiram nos Estados Unidos da América em meados dos anos 20 com a fundação do Colégio Americano de Cirurgiões, possibilitando assim a criação de um programa de padronização hospitalar, cujo objetivo era estabelecer padrões para garantir a qualidade da assistência prestada aos pacientes. Ao longo das décadas e à medida que houve uma maior disseminação desta estratégia, a acreditação hospitalar tornou-se um diferencial competitivo e expandiu suas possibilidades de aplicação para outras áreas além do segmento cirúrgico.
Desde sua concepção, a acreditação sempre foi um modelo voluntário de avaliação e desenvolvimento da qualidade, com o objetivo de promover e disseminar as melhores práticas estabelecidas. Mais tarde, com a construção de padrões de avaliação, acabou servindo de base para o amadurecimento dos programas, assim como para trazer de maneira mais clara e objetiva todos os critérios avaliados, considerando além das melhores práticas, as necessidades existentes, legislações vigentes e expectativas do mercado.
No relatório de 2001 do Institute of Medicine – IOM intitulado “Crossing the Quality Chasm: A New Health System for the 21st Century” concluiu-se que a maior parte dos erros relacionados à assistência não resultavam de imprudência ou mesmo incompetência individual dos profissionais, mas sim de sistemas, processos e condições de trabalho ruins, que levavam as pessoas a cometê-los. Nele, foram divulgadas as melhores práticas que deveriam nortear todos serviços de saúde, desde os mais simples até os mais complexos, para um novo sistema de saúde.
Passados vinte e um anos podemos dizer que muito ainda precisa ser feito e que o sistema de saúde segue enfrentando pressões sem precedentes. Vivemos em meio à um mercado cada vez mais competitivo, com a necessidade iminente de maior equilíbrio entre os diferentes níveis de atenção, maior harmonia na utilização coerente e precisa de recursos, maior incentivo para a implantação das melhores práticas e mudança na forma de remuneração baseada na efetividade, geração de valor, melhores resultados e não mais apenas na produção de procedimentos.
Para tornar o sistema de saúde mais seguro e de qualidade é primordial o redesenho dos processos, trazendo um olhar voltado ao capital humano, desenvolvimento profissional e construção de ambientes de trabalho colaborativos, intuitivos e dotados de autonomia, fazendo com que o profissional, ciente do propósito organizacional, possa exercer suas atividades e entregas da melhor forma possível.
O desenvolvimento, manutenção e retenção do capital humano deve ser tema recorrente nas discussões e abordagens institucionais, o que requer a adoção de práticas de liderança e gestão que possibilitem estabelecer uma relação de confiança entre as partes, permitindo a disseminação do propósito, identificação e mitigação dos principais riscos do negócio e a participação ativa com sentimento de pertencimento por parte do profissional.
Diante desse contexto, melhorar a qualidade e eliminar erros requer uma liderança orientanda à uma cultura organizacional dedicada à melhoria contínua, concentrando olhares e recursos nas estruturas, processos e sistemas de monitoramento, garantindo dessa forma melhores serviços e minimizando riscos. Não há sistema de melhoria sem a mensuração de resultados e sua utilização na tomada de decisão.
Líderes e gestores tornam-se os grandes responsáveis por encabeçar essa transformação, cabendo a estes profissionais:
- Envolver os profissionais da sua equipe;
- Ter uma comunicação clara, objetiva e transparente com todas as partes;
- Criar uma relação ética, de confiança e parceria com sua(s) equipe(s);
- Trazer o entendimento de propósito e construção conjunta;
- Estruturar um ambiente favorável para o exercício profissional, com maior segurança tanto física quanto emocional para os profissionais;
- Ter a segurança e a qualidade assistencial como estratégia para o alcance de melhores resultados;
- Definir metas e métricas com a(s) equipe(s);
- Ter compromisso e atenção com uma assistência segura e de qualidade
- Implantar uma cultura de melhoria contínua
Criar ambientes que estimulem as relações entre pessoas requer um exercício constante e permanente de empatia para a conquista de resultados benéficos. Esse é na verdade um dos maiores desafios que as organizações enfrentam para a implantação e obtenção de melhores resultados.
A grande verdade é que independentemente se “Dia” ou “Semana” Mundial da Qualidade, todas as frentes desenvolvidas para esse momento deveriam ser replicadas para as outras 51 semanas ou 358 dias do ano.
Temos aqui uma grande oportunidade, que vai muito além de trazer e refletir sobre temas relevantes como: cultura organizacional, consciência corporativa e sustentabilidade, mas também de coloca-los verdadeiramente nas pautas diárias das discussões das equipes, passando então a fazer parte do dia a dia organizacional, ao invés de ser lembrado apenas em uma data, no momento de preparação para uma avaliação ou entrega de uma placa bem emoldurada.
Fornecer um atendimento seguro e de alta qualidade aos usuários dos serviços de saúde deveria ser o foco dos gestores. No entanto, publicações recentes mostram que essa é uma realidade ainda distante, necessitando a intensificação desses esforços e iniciativas por parte das organizações e seus executivos para que se obtenham resultados proeminentes.
Melhorias setoriais e em pequena escala não são mais suficientes. Os gestores precisam trabalhar com foco na qualidade e na segurança como um valor central incorporado em toda a organização. É responsabilidade dos gestores de saúde implementar e expandir esses elementos. Melhorar continuamente a qualidade dos serviços de saúde não se limita apenas a atender melhor os usuários, mas em entregar mais e melhor para o sistema, de forma transparente, justa e correta.
Publicado por Dr. Bruno Cavalcanti Farrás, médico, cofundador e CEO da BFarrás Health Solutions. Executivo com experiência em posições de liderança, atuação estratégica, projetos de inovação, transformação digital, integração de redes de atenção à saúde, desenvolvimento de relacionamento com entidades nacionais e internacionais, além de forte envolvimento e conhecimento dos principais grupos, operadoras, instituições de saúde, agências reguladoras e sociedades médicas do nosso país. Amplo conhecimento no planejamento e gestão de serviços de saúde, implantação de sistemas de gestão da qualidade, planejamento estratégico, processos críticos, gestão de riscos, gestão de corpo clínico, desenvolvimento de times de alta performance e protocolos médicos assistenciais.
Na BFarrás Health Solutions trazemos soluções de excelência para uma gestão eficaz e sustentável. Trabalhamos quatro frentes: Assessoria & Consultoria, Health Academy, Mentoria Profissional e Workshops.
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